Linha do Tempo do Caso
- 23 de maio de 2010: Desaparecimento e morte de Mércia Nakashima.
- 11 de junho de 2010: O carro da advogada é encontrado submerso na represa de Nazaré Paulista, com seu corpo no interior.
- Março de 2013: Ocorre o julgamento a júri popular e a condenação dos envolvidos.
O Caso Mércia Nakashima refere-se à morte brutal da advogada nipo-brasileira Mércia Mikie Nakashima, que tinha apenas 28 anos na época do crime. O assassinato, marcado por extrema crueldade, gerou grande comoção nacional, pois a vítima foi afogada e trancada dentro do seu próprio veículo.
O Relacionamento e o Dia do Crime (23 de maio de 2010)
A advogada mantinha um relacionamento conturbado com o ex-policial militar e advogado Mizael Bispo de Souza. O namoro era marcado por fortes conflitos e sofria grande rejeição por parte da família de Mércia. Na noite de 23 de maio de 2010, quando estava a caminho de casa, a advogada desapareceu sem deixar rastros, dando início a uma intensa busca que mobilizou a imprensa e a opinião pública de todo o país.
A Descoberta do Corpo (Junho de 2010)
Mércia ficou desaparecida por cerca de 19 dias. Apenas em meados de junho de 2010, as autoridades localizaram o veículo da advogada submerso na Barragem Atibainha, uma represa na cidade de Nazaré Paulista, no interior de São Paulo. O corpo de Mércia foi encontrado dentro do carro, confirmando a tese de homicídio e ocultação de cadáver.
A Investigação e a Prova da “Botânica Forense”
A investigação policial, conduzida pelo Delegado Olim, ficou marcada por um trabalho pericial inovador. A prova crucial que colocou Mizael Bispo de Souza na cena do crime foi a descoberta de algas aquáticas em seu sapato. A botânica forense foi decisiva: a análise comprovou que as algas presas ao calçado do suspeito eram idênticas às da represa onde o corpo foi descartado, ligando-o diretamente ao local da desova.
O Cúmplice
A polícia também identificou a participação do vigia Evandro Bezerra Silva no crime. Evandro atuou como cúmplice, ajudando Mizael a fugir do local logo após o assassinato. Em depoimento, ele admitiu ter ido buscar o ex-policial na região de Nazaré Paulista após o crime. Houve controvérsias durante o inquérito, com a defesa alegando que Evandro teria sofrido tortura para confessar, o que foi negado pelas autoridades.
O Julgamento e as Condenações (2013)
Mizael Bispo de Souza foi levado a júri popular em março de 2013, sendo condenado a mais de 20 anos de prisão em regime fechado. Posteriormente, a Justiça decidiu aumentar a condenação de Mizael para exatos 22 anos e 8 meses de reclusão. O cúmplice Evandro Bezerra Silva também foi julgado no mesmo ano e condenado a 17 anos de prisão por sua participação no homicídio.
Desdobramentos Recentes e o Legado
Com o passar dos anos, os condenados conseguiram benefícios legais, como a progressão de regime. Mizael chegou a obter do Superior Tribunal de Justiça (STJ) o direito de cumprir parte da pena em prisão domiciliar. Recentemente, o ex-policial voltou aos holofotes ao lançar um livro em que insiste em sua inocência, alegando ser vítima de uma armação policial para “achar um culpado”.
Hoje, o caso Mércia Nakashima é frequentemente revisitado em documentários, podcasts e séries de true crime devido ao seu impacto na crônica policial brasileira. Além disso, o assassinato se tornou um estudo clássico nas faculdades de direito e perícia sobre o uso pioneiro de provas ambientais e botânicas em julgamentos criminais no Brasil.








































